No dia 27 de abril de 2011 meu casamento acabou e sai do apartamento que vivia com meu ex-marido, a dois anos, na manhã seguinte, mas queria ter ido embora na mesma hora. Quando acordei na manhã seguinte fiquei desesperada para sair o mais rápido dali e com a ajuda de uma das minhas irmãs sai feito um furacão, juntei minha roupas, as coisas da minha cachorra, peguei minha cachorra e fui embora.
Quando cheguei na casa dos meu pais foi a pior coisa do mundo, não tinha perdido só meu marido, minha alegria, minha paz, perdi uma família que me fazia feliz, perdi tudo o que acreditei e sonhei nos últimos 3 anos.
O termino não foi algo que eu sabia que aconteceria, pelo contrario, eu realmente acreditava que nós íamos ficar juntos para sempre, que não existia nenhum problema que não iríamos superar. Eu amava meu ex loucamente, sonhava com o dia que íamos nos casar como manda o figurino, sonhava com a cara que teriam nossos filhos e como seria nossa futura casa. Cada segundo era planejado para as nossas vidas e nunca para a minha vida.
A vida a dois foi a melhor coisa que me aconteceu, eu tinha a pessoa que eu amava, meu melhor amigo, uma ótima companhia para qualquer tipo de programa, tinha um abraço que era tudo o que eu precisava nos momentos difíceis, tinha a paz e o conforto do dia a dia dentro de um lar, sem falar no amor. Eu amei cada segundo que estive ao lado dele, amei os bons e os maus momentos, amei cada sorriso e cada choro, cada segundo que passei ao lado dele.
Minha vida sem ele se tornou difícil, tão difícil que não conseguia acreditar que aquele amor para uma vida toda tinha acabado, ele não podia ter acabado e eu não queria acreditar que tinha acabado. Fiz de tudo para tentar manter a distância, mas também fiz de tudo para me manter próxima e falar um “oi, nós nos amamos e ainda assim você prefere viver sem mim?”. Pois é, coração apaixonado ouve o que quer e interpreta tudo da forma que quiser.
Desde que terminamos trocamos muitas mensagens, conversamos, discutimos, brigamos e nos entendemos de novo, mas ainda assim, mesmo declarando a saudade que tínhamos um do outro eu ouvia sempre a mesma coisa “Nada disso nos fará voltar, não acredito que as coisas podem mudar pois esperei muito pelas mudanças.”, porém cheguei a ouvir algumas vezes como ele sentia minha falta, que ele ainda me amava e não pretendia deixar de me amar, ouvi que ele também estava aflito com a situação e que ele acreditava que podíamos voltar em uns 6 meses, um ano, 2 anos e foram nessas coisas que eu me segurei. Me segurei no amor, na esperança e na confiança que sempre existiu entre nós.
O amor sempre me fez acreditar em superação, mas parece que não é bem assim que as coisas funcionam já que eu fiquei acreditando no amor e meu ex só foi deixando as magoas crescerem dentro dele e desacreditando cada vez mais de mim, fez eu me sentir uma mentirosa por não acreditar nas minha palavras.
Fiz tudo o que estava ao meu alcance, provei de todas as formas que pude o quanto eu o amava e o quanto tudo podia sim dar certo, pois eu realmente não estava infeliz e nem fui comunicada que ele estava tão infeliz, fiquei sabendo só na noite do dia 27 de abril que ele estava infeliz sem nenhuma prévia que pudesse me ajudar a agir antes, pois como ele mesmo diz “não sou de ficar falando… uma hora a coisa satura e explode”.
A lembrança que ele diz ter de nós é cada um sentado num canto do sofá e a lembrança que tenho de nós é essa.
Acabou
26, junho, 2011Faltando pouco para dizer “tchau”
29, abril, 2009Nunca achei que seria tão difícil me despedir de Londres, o lugar que mais amei e detestei estar. É difícil rever tudo o que foi vivido com dificuldades, tristezas, depressões, picos de emoções fortíssimas (mais fortes do que pensei que poderia suportar), agonias, dores e doenças, muitas, nunca fiquei tão doente como fiquei aqui em Londres, sem pensar que tudo isso foi muito bom no final.
Mas esse ano não foi feito só de coisas ruins, a verdade é que tudo o que aconteceu foi maravilhoso. Conheci novas cidades, fiz novas amizades, amigos que eram distantes ficaram cada vez mais próximos, fui para todos os cantos de Londres com a ânsia de conhecer tudo o mais rápido possível e ainda assim não deu tempo de ver tudo, pois é, mas este não é o fim.
A chegada no inverno, com neve em abril (que deveria ser primavera), a noite regada a chá preto num café 24h pois não sabia pegar o night bus, a primeira mudança de casa para morar com alguém que eu mal conhecia, a curta primavera que atacou minha rinite como nunca, as dormidas no metro que me levaram muitas vezes até a ultima estação para ser acordada por um inglês, super educado, me dando tapas no braço falando para eu sair dali, a vida a dois que foi a melhor decisão que já tomei mesmo sendo uma loucura, as economias radicais para poder viajar, comer num lugar legal, fazer um passeio ou simplesmente comprar algo supérfluo para sair da depressão, a chegada do verão, que delicia que é o verão em Londres, os parques, os vinhos, os lanchinhos e nós sentados ou deitados na grama, o pedalinho no Hyde Park, a garrafa de champagne tomada a beira do Rio Thames, a segunda mudança de casa que buscava paz e trouxe muitos problemas, as festas na casa da Helo e na do Filipe as quais nunca sobrava um sóbrio para contar o que aconteceu no dia seguinte, os ouvidos que emprestei para muitos ingleses bêbados e desconhecidos querendo contar suas frustrações com chefes, ex-namorados ou até sobre o fato de não saberem falar outra língua a não ser a deles, ter virado a rainha das sapatas e o Alan o rei das bibas mesmo todos sabendo que somos heteros, olhar Londres pela varanda incansáveis vezes, as caminhadas noturnas para fotografar, a cansativa e quente volta na London Eye, as idas aos museus e as lojas de discos, as corridas para alcançar o trem que saia em menos de um minuto, a praia de pedra com direito a maça do amor, a dormida na barraca colada nas caixas de som que tocavam psytrance no festival, dançar de baixo de chuva e com muita lama e outros milhões de momentos deliciosos que vão ficar para sempre na minha bagagem.
Obrigada Londres por ter me dado tantas emoções e lembranças, por ter sido meu lar por pouco mais de um ano, obrigada Europa por me deixar te conhecer, conhecer tanta gente maluca e saber que de fato “As aves, que aqui gorjeiam, não gorjeiam como lá”, obrigada a todas as pessoas que sentirei saudades, em especial do meu Colombianobrasileiro Juan Pablo, obrigada Juan por todos os abraços e finalmente um agradecimento por tudo isso ter mudado a minha vida e ter feito eu virar a pessoa que sou hoje, garanto, não sou a mesma Maiti de 14 meses atras.
Brasil me espera que eu to chegando, louca de vontade de encontrar você e todos que me esperam.
Até logo.

Deitada em Greenwich Park

Maça do amor

A Lama

Fotos Noturnas
Brasil
20, fevereiro, 2009Ah que beleza que foi.
Duas semanas de Brasil, parecia ser muito pouco mas foi o suficiente para estar na minha sacadinha olhando para Londres e pensar “Por mim eu voltaria pro Brasil amanhã!”, diferente dessa mesma olhada a duas semanas atras que eu pensei “poxa, vou sentir saudades daqui”.
De fato vou sentir saudades, mas mais do que sentir saudades daqui é sentir como é bom estar com seus amigos, estar num lugar em que você conhece como as coisas funcionam, sentir que a vida tem muito mais movimento do que você podia imaginar, saber que as pessoas que você considerou importante na sua vida em quanto você esta longe realmente se importam com você e é disso que eu mais sentia saudades, saber que nem eu nem o Alan éramos solitários.
Essa viagem foi ótima para nós dois, descobrimos coisas um no outro que sem voltar para casa nunca teríamos descoberto. Descobri a felicidade do Alan em fazer musica com os amigos ou simplesmente em estar com eles, o amor dele por mim que mesmo enquanto estava se divertindo ainda me ligava com saudades e não por obrigação, a vontade que antes era minha de voltar para o Brasil e agora essa vontade desesperada passou para ele (que parece estar mais desesperado que eu agora), o nosso relacionamento saudável de ele ser preguiçoso como todo homem e eu ser chata como toda mulher e percebemos que canalizamos esses defeitos para o lado certo e não para o lado doentio e insuportável.
Voltamos com varias decisões mudadas e com a ânsia de começarmos a viver o mais rápido possível essa felicidade, voltar a viver como gente com dificuldades normais, vontade de viver o que pode dar certo não que não que viver dando errado se enganando dizendo que vai dar certo.
Chega, é isso ai galera maio estamos de volta esperem por nós!
Comercial
15, dezembro, 2008Bom, recebi mil vezes esse comercial por e-mail com pessoas dizendo que ele é muito bacana e etc. Agradeço a todos que me enviaram, realmente ele é muito bacana, mas sem querer ser metida eu já tinha visto um milhão de vezes já que o banco é inglês e por um acaso eu moro aonde???
Mas ai vai uma coisa bem interessante sobre o comercial e chocantemente nenhuma das pessoas que me enviaram este citaram, confesso ter ficado meio passada, mas vamos a curiosidade.
Este comercial super bacana, do banco inglês Barclays, o qual só existe no Reino Unido foi filmado em São Paulo e no Rio de Janeiro, isso mesmo! Ou vocês achavam que em Londres existe vários prédios super altos, avenidas super largas e o melhor placas de sinalização? Pois é, não existe!
Entendo as pessoas que amam Londres, acham lindo a cidade ser velha e etc, etc e tal. Mas tenho que dizer que foi tão gratificante ver a propaganda mais famosa da Inglaterra ter sido filmada na terra dos mulatos, que falam espanhol, sabem sambar e jogar futebol.
Quem quiser ver o making of o endereço é http://www.youtube.com/watch?v=XMNBc7EfzAY&feature=related
Isso sim que é sacação!
Ps: Reparem no nome dos edifícios e ônibus.
6, dezembro, 2008

London
Ando querendo ir embora, mas sei que quando for vou sentir saudades daqui. Terra do amor e ódio, tudo o que existe de extremo está aqui, e estou falando no geral não no particular.
É muito estranho morar 24 anos numa cidade grande e de repente descobrir que você é mais “bicho-do-mato” do que muitos que você já chamou do mesmo antes.
Ando tensa de não trabalhar com o que eu realmente gosto e mais tensa ainda de pensar em voltar e continuar a mesma merda de onde parei.
Ando com medo de voltar e tudo continuar igual pois é exatamente daquilo que eu estou tentando correr. Voltar a ser a Maiti que trabalha numa agencia pequena, que gosta do faz mas não quer viver pobre e trabalhando feito uma FDP para o resto da vida e infelizmente não consigo ver outro futuro.
Maldita seja essa profissão que ou você gosta e nasce para ser o fodão, ou você gosta mas também odeia pois no fundo ninguém, nem você mesmo acredita mais em você.
Vivendo em picos, horas muito triste por querer continuar e terminar o plano mas sem saber se vai conseguir e horas muito feliz achando que o plano finalmente vai dar certo. Se não der, volto eu para o ponto de onde parei, sem ter andando para frente nem para traz.
Velhinha
15, outubro, 2008Estava pensando nesse exato momento o quando eu sinto falta de colo. Nesses últimos tempos chorei bastante, senti muitas vezes vontade de voltar para casa e ter o colo da minha mãe, mas lembro que minha mãe nunca foi de dar colo.
Sempre que chorava por tristeza ou infelicidade minha mãe me curava com bronca, acredito que ela queria que eu ficasse mais forte e parace de chorar por “besteira”, e se chorava por dor ela se desesperava junto e o que me deixava mais calma. Quando cai de cabeça na garagem ela desesperou tanto que eu, que estava com minha orelha pendurada, tive que me acalmar para ela se acalmar e assim conseguir dirigir até o hospital, e se fosse dores como febre ela me dava um remédio para passar (nunca funcionava) até eu quase ter uma convulsão e ai sim ela me levar para o hospital.
Bom não escrevi isso para dizer que minha mãe é um monstro, ela só é a Rainha Má, brincadeira! Escrevi isso pensando que eu detestava esse jeito da minha dela mas percebi que me tornei uma pessoa igual. Sou alguém que não consegue dar o mínimo de atenção para a pessoa que está ao lado pois só consigo curar problemas com tapas e dizer as mesmas palavras que eu DETESTAVA ouvir da minha mãe e o pior é que eu sei que a outra pessoa está pensando “Que saco, será que não dá para ela ser uma pessoa bacana e compreensiva uma única vez???”, pois era exatamente isso que eu pensava.
Sei que me tornei mais macha que muito homem, e o pior é que isso não foi reconhecido por mim (é duro quando um homem te diz que você deve ter mais pêlos no peito do que ele), sei que toda minha vontade de voltar para casa vai sumir assim que eu pisar nela e isso não é porque não gosto da minha casa, alias eu adoro ela, e sei que minha mãe fez um bom serviço não me dando muito colo, me fez ter vontade de ir um pouco mais para frente mesmo que agora ela queira muito que eu olhe para tras dizendo “Aqui você tem casa, tem carro e tem 23564789 coisas a mais” e a única coisa que penso é que tenho a minha família e o resto nesse exato momento pouco me importa.
Quero mais é curtir minha vida, não quero pensar que eu simplesmente estudei, trabalhei, ganhei dinheiro, comprei uma casa, casei, tive filho e trabalhei, trabalhei e trabalhei para cuidar de tudo isso. Quero viajar, quero morar em outros lugares, quero conhecer novas pessoas, novas culturas, trabalhar em lugares diferentes… agora é a hora de fazer isso, não quero chegar aos 50 anos e pensar “Porque eu não aproveitei? Porque eu voltei antes? Porque eu não fui contra?”.
Agora é cedo para dizer se vou ficar ou não, pois já fui avisada que se ficar vai ter que ser por minha conta, mas eu estou me esforçando para que isso aconteça, e ainda bem que em momentos de recaída eu tenho quem me de colo e quem me de bronca na hora certa, alguém que me ajuda muito em todos os momentos (menos na limpeza da casa).
E só mais uma coisa para quem tenta me levar de volta para o Brasil dizendo que meu pai está velhinho:
A mãe dele, vulgo minha avó, se foi com 95 anos, ele no momento tem 61, se eu for espera mais 34 anos vou ter 59 assim meu filhos só terão 2 anos para ir morar fora antes que quem se torne “velhinha” seja eu.
Sabonete
25, setembro, 2008Sabe aqueles dias que por algum motivo você sente vontade de engolir o sabonete na hora do banho?
Bom, sei que essa vontade é estranha mas ela é real e normal para mim (talvez eu deveria ter assumido isso).
Tem dias que você dorme com aquela sensação de que estão te chutando durante a noite, ai seu despertador toca e sua única reação é querer jogar ele contra a parede, no chão, ou até mesmo contra seu namorado que dormiu no meio da cama em posição “estrela” durante a noite toda.
Obvio que você não concluiu nenhuma das vontades anteriores (afinal o despertador é seu celular e o estrela é seu namorado), vai tomar seu banho, começa a se lavar e quando pega o sabonete pensa “Será que se eu enfiar ele goela abaixo acontece algo?” e você também desiste da idéia, afinal seria muito patético ir para o hospital engasgada com um sabonete, certo?
Depois de dormir mal, acordar cedo (com uma musica que começa com a palavra “Baaaaaaby”) e tomar um banho nenhum pouco relaxante para ir estudar, você percebe que não consegue sair do banheiro porque você está com uma infecção urinaria terrível, ai você pensa “vou para o médico” mas logo se lembra que mora em Londres e que o médicos daqui dizem que seu problema “É psicológico!” e que eles tem carpete nas salas deles (que nojo).
Você não vai para escola, afinal o que seu professor vai pensar de você saindo de 3 em 3 minutos para ir ao banheiro? Ai fica em casa sozinha em quanto o “estrela” vai trabalhar da 11h as 23h e você fica sofrendo sem ter sua mãe para cuidar de você. Ok! minha mãe também não deixaria de ir trabalhar, mas é certo que eu não teria que fazer um almoço solitário (cozinhar para uma pessoa é triste!) mas cozinhar para mim, para a Irene (a moça quieta que trabalha em casa) e para algum dos meus irmão, afinal tenho 3 para isso, não seria de todo mal, mesmo que eu fizesse isso reclamando.
Bom, logo mais vou ao banheiro novamente já que tenho que ir de 3 em 3 minutos e depois conto qual foi o fim do sabonete.
Nova Casa
10, setembro, 2008Aaaaah que delícia, minha nova casa é linda, estou tão feliz!
Tudo é novo e limpável, posso ir na cozinha quando quiser sem precisar olhar pra cara de @%*# de ninguém, posso usar o banheiro sem medo de ser feliz, posso andar de meia sem medo de grudar no chão, está tudo uma maravilha.
Da sacada vejo Londres de cima já que aqui e tudo plano, vejo a London Eye, vejo o Prédio Pepino (que para mim parece mais um ovo) vejo a cidade que não tem muitos prédios (o meu tem 9 andares, moro no 8° e vejo tudo) mas isso mata um pouco da saudades de São Paulo.
Muita gente acha que sou louca de sentir saudades de São Paulo, mas acho que é porque ninguém sabe o que é querer ligar para um disk comida e não ter, ter fome na madrugada e não ter nada aberto 24h, querer ir a um bar e só ter pub aberto até as 23h e balada aberta até as 4h (mas a coisa só pega até as 3h) olhar para uma selva de pedras só que velha e quando eu digo velha não quero dizer antiga, o que é antigo é lindo, mas o velho é feio, fedido e sujo, juro que um ap no cingapura e melhor do que a maioria das moradias que as pessoas tem por aqui e olha que posso dizer isso por já ter entrada em cingapura e já ter entrado em muita casa por aqui, como diria meu amigo Rodrigo, que também mora aqui em Londres “Todos acham que Londres é tudo, isso porque ninguém sabe que as pessoas aqui vivem pior do que numa favela e ainda pagam caro por isso”.
Eu gosto de morar aqui, mas nenhum lugar é completo, o que falta no Brasil é o que tem aqui e o que falta aqui pode ter na Italia, Espanha e etc, mas acredito que sempre faltando alguma coisa. Deve ter algum lugar que falta menos do que os outros, só não sei onde (aceito sugestões!).
Bom, finalmente minha vida está entrando nos eixos que eu queria, estou vivendo bem, num lugar bom (Gi, posso ir andando para Greenwich!!!) na parte nova sa cidade velha, maravilha.
Estou saindo do ninho de ratos.
28, agosto, 2008Amanhã, graças a Deus, estou saindo de onde eu moro.
Bom, nesse exato momento moro em Londres no bairro de Seven Sisters. No meu quarto moro eu e meu lindíssimo namorado Alan, o problema é que na casa moram mais 4 pessoas e isso não seria um problema se não fossem por 2 dessas 4 pessoas. Deixando claro que, moramos no total de 6 pessoas na casa e a limpeza da mesma fica em uma semana para cada um.
Pessoas que moram na casa:
Espanhol: Gente fina, tão desbocado quando eu, nas manhãs de chuva sempre escuto um “puta mierda!”. Arquiteto, sempre está descolando uns passeios artísticos para mim, mesmo que a maioria tenha a ver com arquitetura ou decoração. Ele sempre faz sua faxina aos finais de semana.
Africano: Gente mais do que finíssima, negão de 2 metros de altura que é um doce de pessoa. O único que sempre está sorrindo e sempre para pra bater papo em inglês comigo sem poder recorrer ao espanhol caso eu não o entenda. Faz sua faxina em sua semana e nos outros finais de semana sempre dá um trato na cozinha.
Irlandês: Como o espanhol diz “BoiolaGuy”. Esse me DETESTA, talvez porque eu seja a única mulher no Harém dele ou porque comparo ele com o próximo da lista. Ele não olha na minha cara, me deixa falando sozinha, nunca responde aos meus “Hi” e ainda pergunta pro Alan quando acaba meu visto com um tom de voz de “Quando essa vaca volta para o País dela?”. Esse só lava a própria louça, suas mãos são muito delicadas para pegar numa vassoura.
Inglês: Sim, é aqui que mora o problema. Morro aqui desde dia 03 de abril e nunca vi o puto lavando uma louça. No meu primeiro mês aqui me irritava a louça suja na pia e eu sempre lavava, até o dia que parei e foi nesse dia que ele mostrou o seu “eu interior”. Começou a fazer xixi na tampa do vaso, juntar louça suja no quarto (que parece que tem um defunto de tão fedido), junta sacolas de roupa suja e deixa no chão da cozinha… e por ai vai. E nada, nenhuma cara feia, nenhum bilhete e nem mesmo deixar as louças sujas e as sacolas de roupa na porta do quarto do nojento abala ele, nem mesmo o proprietário da casa dizer que ele precisa limpar suas coisas. Bom, também não preciso dizer que não sabe o significado de limpeza, já que ele não perde 5 minutos da sua semana nem para tomar banho.
Depois de quase 5 meses sendo faxineira dos outros eu finalmente levantei a bandeira vou me mudar e para um lugar muito melhor, perto de Greenwich. E o melhor, só nos dois! Chega de dividir a vida e a paciência com os outros! Finalmente sinto que as coisas estão melhorando.
Essa é a foto da nova casa, é o prédio roxo do fundo:











